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A graça é ainda mais bela que a beleza E que é a graça? É tudo. É, em primeiro lugar, a inteligência. Que vale a formosura plástica, quando é a companheira da estupidez? E a inteligência não dá apenas às mulheres uma beleza moral: dá-lhes também uma certa beleza física. (Olavo Bilac ) A beleza é o que é. Nada mais inútil que o tentar conceituá-la. O belo é sempre uma inapreensão, um eterno escape, uma viagem ao fundo profundo – e profuso – das impossibilidades humanas. Quanto mais a querem submeter, mais a beleza escapa das mãos que a julgavam submissa. A beleza e o belo apenas existem. Através dos séculos, homens em legiões vêm tentando codificar o belo. Os incautos contam-se aos milhares. Mas já há os que se convenceram definitivamente do sem-fim dessa tarefa, pois não existiu sábia alma ou especial sensibilidade que não tenha tentado conceituá-la – sempre insatisfatoriamente. O belo não cabe nos limites do homem, não se deixa reduzir a um esquema, a um sistema. É fluid...
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Quem tem medo do grande lobo mau? Ao vasculhar coisas no baú das lembranças, encontro uma história em quadrinhos de Branco Medeiros, amigo de longa data e uma das pessoas mais talentosas que conheci.  O desenho conta, se não me engano, mais de 26 anos.  É um estudo feito para um dos grandes quadros da exposição  Bandidos da  Paixão , que ele realizou em Belém. Eram vinte "quadrinhos gigantes" com a mesma instigante forma narrativa: quase sem texto, uma só página. Se a memória já me escapa das coisas de ontem, imagine quanto ao que se passou há mais de duas décadas – e devo neste momento não estar sendo preciso. O importante é que sempre presto homenagens a esse cara genial e inquieto (fiz isso no meu livro A noite dos casacos vermelhos , inclusive), de quem admiro a sensibilidade e a natural inclinação para a arte.  E sempre que penso em artistas do traço, penso nele, porque acompanhei parte de sua trajetória quando ainda éramos moços e tolos, e vi a...
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Pour Elise Bela publicou uma foto no Facebook que me evocou lembranças de quando nos conhecemos, há mais de 20 anos. Ela quase uma menina (hoje uma senhora), a encenar teatro de rua, sempre tranquila; eu às voltas com a literatura, indo de uma cidade para outra no projeto O Escritor na Cidade, idealizado pelo poeta Affonso Romano de Sant'Anna (na época à frente da Biblioteca Nacional).  Dos poemas que fiz para a  minha menina ao longo desse tempo – em guardanapos de lanchonetes, papéis de pão e de rascunho –, ficou um pequeno livro que eu pretendia íntimo, mas que ganhou o mundo: Uma canção para Elise , cujo título é inspirado numa conhecida bagatela de Beethoven.  É um livro, porém, ao qual ainda tento dar forma definitiva, mais para o imperfeito, porque marcado por emoções intensas e verdadeiras que raramente são aliadas da boa técnica. Apesar disso, um livro grato, pleno dessa coisa rara que chamamos amor, com gosto de maresia. Reproduzo aqui a apres...

Jolene: a pérola de Dolly Parton

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"Jolene" é um clássico da loura Dolly Parton, a rainha do country (com seu cabelo de bolo de noiva), cuja letra até hoje desconcerta.  "Hipersentimental, mas divertida", diz uma amiga cantora, americana, que faz reinterpretações (magníficas) de grandes canções do passado. Há quatro décadas, quando fez um sucesso avassalador (foi classificada na 217ª posição entre as 500 melhores canções de todos os tempos pela revista Rolling Stone ), era percebida como de uma delicadeza quase solene com a possibilidade da traição. Ah, os tempos eram outros... Mas três meninas "de agora" fizeram uma releitura singular dessa canção: uma cult (Mindy Smith); outra personalíssima (Alexis Grace), de estúdio; e outra pra lá de carismática (Brooke White).  Adoro a versão de Brooke, naquele duelo acelerado de cordas em levada country. Há ainda uma leitura "da pesada" feita pelo grupo The White Stripes. De arrepiar. Merece ser conferida. Entre tantas, temos também a...
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A noite dos casacos vermelhos Ballet, música, literatura Um evento diferente, com ballet e leitura pública de textos  marcou neste mês o lançamento da terceira edição de  A noite dos casacos vermelhos , no TSE. A bailarina Natália Loose, do Ballet Etude Season, dançou ao som de "Serenade", de Franz Schubert, enquanto o autor fazia a leitura em voz alta de "A bailarina", um poema dedicado a ela que em breve receberá versão em vídeo. Em Brasília, a nova edição desse romance já pode ser encontrada na livraria Leitura do shopping Pátio Brasil. E logo estará nas livrarias da rede Cultura, nos shoppings Casa Park e Iguatemi.  Serenade, de Franz Schubert, por  Matthias Michael Beckmann e  Sabine Kraus     Natália Loose,  ao fim de "Serenade" A bailarina Para Natália Loose Em certa noite, como em nenhum’outra, segue a voar a bailarina. E é como se seus pés de pássaro e de flor ao vento fossem o início e...
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A noite dos casacos vermelhos em 3ª edição Na próxima quinta-feira (24 de outubro), no hall do complexo de auditórios do Tribunal Superior Eleitoral (em Brasília), será lançada a terceira edição de A noite dos casacos vermelhos, um romance que até agora me tem dado grandes frutos.  Haverá leitura pública de trechos do livro. Em novembro, se tudo correr bem, sairá a edição em inglês, voltada principalmente para o Natal americano, traduzida por Talita Sales e Aaron Stanley, um dos articulistas do  Financial Times . Já recebi alguns dos capítulos em língua ianque.  O livro continua fazendo sucesso na Espanha e nos EUA, em espanhol. Pelo menos dois comentários, um do Brasil e outro dos Estados Unidos, orgulha-me reproduzir: "Me encantó, quiero más libros así. Totalmente recomendable!!! Intriga hasta la última página. Espero continúen, ya que lo leí en una hora" (Gabriela Macagno, 26.8.2013); "Parabéns ao autor pela magnífica escrita. Apesar de a temática do li...
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Humanidad: Casa de Demolição (Poemas) Humanidad é um livro que escrevi como forma de me reconectar com a Terra e a minha herança amazônica, não sem alguma desesperança. Creio que estamos (ou já chegamos) aos limites do não retorno , em que as permanentes e sucessivas agressões que perpetramos ao planeta e aos demais seres que nele vivem já não podem mais ser detidas e tendem a se agravar de forma exponencial. Há, aliás, toda uma teoria de base quântica que fala disso. Pode ser uma visão catastrofista, mas infelizmente não vislumbro,  hoje,   alternativa nem sinais de uma outra. O poema principal, que dá título ao livro, em duas estrofes resume aquilo que penso quanto ao destino cósmico desta nossa espécie degenerada:   [...] Quando ouço dizer Devemos salvar a Terra penso: a Terra em sua trajetória cósmica de zilênios salvar-se-á a si não importa o que desaconteça . * Nós é que iremos nos desfazendo em massa informe, vapor de es...