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Sereia de fogo dos lagos de pedras verdes Imagem: Luiz Braga (PostFace) Eu não estaria assim, se não fosse o fato de ter dormido tarde, o dia amanhecer nublado e o sol não existir quase infantil a estas horas no parapeito das janelas.  Quando isso acontece, espreguiço-me na cama sem esperança e vejo pela janela sem cortinas que as nuvens vagam um silêncio morno por todo o espaço, com seu peso de vapor de chumbo e a agonia dum louco que arrastasse gritos pela casa.  O mundo lá fora, assim, nunca é além do frio/calor que nos percorre por dentro as veias, rio fininho de água e óleo, leite e amoras. E há o desespero de não ter feito tudo quanto durante tantos anos, de espedaçar-se pelo meio do caminho, de ter de ouvir a voz desagradável da insidiosa que se senta ao meu lado e quer o teu mal a todo custo. Passou a existir entre nós essa ponte intransponível que vai do ontem ao vento, do agora ao abismo.  Por isso estamos sós.  Ouvimos que ...

A Base Fênix em Bas Saint-Laurent

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Poeira de estrelas A partir do dia 29 deste mês (terça-feira), por um período de sete dias, a Amazon colocará em promoção o romance "O despertar de Fênix", minha primeira experiência com a ficção científica. Sempre alimentei um grande fascínio pela astronomia e pelos mistérios interplanetários; a imensidão do Cosmos até hoje desvia a minha percepção da estreiteza deste parco mundo humano e seus dilemas e me joga na cara que nada mais somos que poeira de estrelas. "O despertar de Fênix", resultado dessa reflexão, está desde seu lançamento entre os eBooks mais vendidos em sua categoria na Amazon. Se você gosta desse gênero, aproveite essa oportunidade. TRECHO "Em menos de um ano estavam concluídos os laboratórios da Base Fênix em Bas Saint-Laurent. Foi nesse lugar paradisíaco que eu e mais 21 pessoas, homens e mulheres, voluntariamente nos submetemos a um novo processo de congelamento ainda em experiência denominado 'O Despertar de Fênix', ...

Uma canção para Elise

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Pour Elise Entre vasos de flores, barro e panelas; em meio a cortinas sem veludo, carro e janelas... u ma história de amor. Simples assim. Sim, está certo: quase nunca não haverá música de fundo. Na maior parte do tempo, estaremos apenas mudos, a andar daqui para ali porque não há outro jeito: a vida segue, as contas chegam, a idade avança, a noite cai sobre todos os mortos. Mas se você ainda estiver vivo e disposto, haverá dias em que até planta e passarinho aparecem na sacada, crescem papoulas no limo da varanda, o sol grita lá fora e à tarde há o som de chuviscos no telhado. Um caso de amor. Simples, sem fim. Creio nele porque o vivo cotidianamente, quase nunca da melhor forma possível, com a angústia de todos os percalços, golpeado por seus altos e baixos, a esperar que um dia faça sol, que noutro dia chova. Um caso de amor nunca é fácil assim. Sim, há dias em que sem ela é impossível respirar, os instantes como que não passam e um deserto de ninguéns se f...

Três poemas amargos de Max Casablanca

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O rei da rua Sabiá tem só 14 anos e cinco assassinatos. Franzino, ergue para o alto o braço  quase sem músculos, arco de violino, e diz, a arma em punho: "Tainha será o próximo – e Lucicleide,  aquela puta!" Ninguém o confronta em sua sanguinária loucura de menino monstro; nenhum o olha de frente,  os pivetes puro-medo de sua gangue de garotos. Sabiá é o rei da Rua do Urubu, do Cais do Ferro Velho, do Beco das Piranhas. Sabiá é o rei de porra nenhuma! Ontem à noite ele morreu assassinado com seis tiros no peito pele e ossos. Quem matou Sabiá foi Lucicleide,  à queima-roupa. Lucicleide tem só 16 anos e oito assassinatos. Lucicleide sabe escrever e ler, e faz poemas. Lucicleide é a rainha do Beco das Piranhas. Tic tac Os anos se foram. Perdi olhos e tempo. O coração, fraco. Sinto-o agora como quem ouve uma batida irregular de repenique, aquele tum tum.. tum... sopro de ven...

Josi Maués: dois poemas a fórceps

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Josi Maués Consegui arrancar na semana passada, a fórceps, dois poemas da querida amiga Josi Maués. Há três décadas, em "nossa juventude universitária" (kkkk), nossos primeiros poemas foram premiados num concurso estadual (se não me engano) e publicados em livros. Desde então, e por longos anos, sempre voltei à leitura daqueles oito ou dez textos de sua lavra, quando sentia a necessidade de retomar o contato com a forte dose lírica de uma escrita não automatizada. Josi me passava em seus poemas a sensação de uma verdade, legibilidade e audácia que encontrei em poucos poetas daquele nosso tempo, no Pará, a maioria plenos de hermetismos, "silenciosos" demais, às vezes quase incomunicáveis, excelentes para si mesmos. Ainda hoje é raro que encontre nas coisas que leio o envolvimento sedutor que me acolhe nos poemas de Josi; não... não é uma questão técnica: é a identificação com uma... forma de escrita – que me devolve à poesia e ao poema.  

O despertar de Fênix

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No dia 12 de abril, o meu novo romance, "O despertar de Fênix", será lançado mundialmente pela Amazon (em eBook), embora já esteja em pré-venda há três meses na loja virtual brasileira.  O livro é meu primeiro passeio pelo terreno da ficção científica e o escrevi sob a pressão dos prazos fixados pelo mercado editorial. É uma experiência boa e nova essa – a de ter prazos para escrever romances... kkkk >   "O despertar de Fênix" na Amazon CAPÍTULO 1 O despertar de Fênix No ano de 2030, um grupo de cientistas canadenses descobriu um composto gasoso capaz de deter a degeneração dos corpos vivos. Era uma forma de criogenia avançada com a qual se conseguia obter resultados surpreendentes no congelamento e reavivamento de rãs, répteis e, finalmente, pequenos mamíferos de laboratório. Aquele fora um dos momentos em que certamente a mão de Deus, farta dos fracassos de nossa espécie degenerada, moveu-se para ajudar na trajetória de sobreviv...

Réquiem para um ser amado

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Ao José Vinas, in memoriam Hoje não direi que a vida basta. A vida é um enigma que passa. Dolor aos olhos, marcas de pegadas, A vida é só o passo de botinas gastas. Entre uma hora e outra em que vencemos A cada passo a vida que tivemos, Se a vida passa, não direi. E viveremos O pôr do sol das mortes que tememos. A vida é uma aurora que desgasta A luz dos dias todos, se morremos. Mas logo nasce a manhã... Não vês Que o Amor recria tudo o que desfez?