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Josi Maués: dois poemas a fórceps

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Josi Maués Consegui arrancar na semana passada, a fórceps, dois poemas da querida amiga Josi Maués. Há três décadas, em "nossa juventude universitária" (kkkk), nossos primeiros poemas foram premiados num concurso estadual (se não me engano) e publicados em livros. Desde então, e por longos anos, sempre voltei à leitura daqueles oito ou dez textos de sua lavra, quando sentia a necessidade de retomar o contato com a forte dose lírica de uma escrita não automatizada. Josi me passava em seus poemas a sensação de uma verdade, legibilidade e audácia que encontrei em poucos poetas daquele nosso tempo, no Pará, a maioria plenos de hermetismos, "silenciosos" demais, às vezes quase incomunicáveis, excelentes para si mesmos. Ainda hoje é raro que encontre nas coisas que leio o envolvimento sedutor que me acolhe nos poemas de Josi; não... não é uma questão técnica: é a identificação com uma... forma de escrita – que me devolve à poesia e ao poema.  

O despertar de Fênix

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No dia 12 de abril, o meu novo romance, "O despertar de Fênix", será lançado mundialmente pela Amazon (em eBook), embora já esteja em pré-venda há três meses na loja virtual brasileira.  O livro é meu primeiro passeio pelo terreno da ficção científica e o escrevi sob a pressão dos prazos fixados pelo mercado editorial. É uma experiência boa e nova essa – a de ter prazos para escrever romances... kkkk >   "O despertar de Fênix" na Amazon CAPÍTULO 1 O despertar de Fênix No ano de 2030, um grupo de cientistas canadenses descobriu um composto gasoso capaz de deter a degeneração dos corpos vivos. Era uma forma de criogenia avançada com a qual se conseguia obter resultados surpreendentes no congelamento e reavivamento de rãs, répteis e, finalmente, pequenos mamíferos de laboratório. Aquele fora um dos momentos em que certamente a mão de Deus, farta dos fracassos de nossa espécie degenerada, moveu-se para ajudar na trajetória de sobreviv...

Réquiem para um ser amado

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Ao José Vinas, in memoriam Hoje não direi que a vida basta. A vida é um enigma que passa. Dolor aos olhos, marcas de pegadas, A vida é só o passo de botinas gastas. Entre uma hora e outra em que vencemos A cada passo a vida que tivemos, Se a vida passa, não direi. E viveremos O pôr do sol das mortes que tememos. A vida é uma aurora que desgasta A luz dos dias todos, se morremos. Mas logo nasce a manhã... Não vês Que o Amor recria tudo o que desfez?

Discurso do poeta Pablo Neruda ao ganhar o Nobel de Literatura

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"Tenho expres­sado frequentemente que o melhor poeta é o homem que nos entrega o pão de cada dia: o padeiro mais próximo, que não pen­sa que é deus. Ele realiza a sua majestosa e humilde tarefa de amassar, colocar no forno, dourar e entregar o pão a cada dia, com uma obrigação comunitária. E se o poeta chegar a al­cançar esta consciência simples, poderá também a cons­ciência simples converter-se em parte de um colossal arte­sanato, de uma construção simples ou complicada, que é a construção da sociedade, a transformação das condições que rodeiam o homem, a entrega de uma mercadoria: pão, verdade, vinho, sonhos." (Pablo Neruda) Meu discurso será uma longa travessia, uma viagem minha por regiões longínquas e antípodas, não por isso menos seme­lhantes à paisagem e às solidões do norte. Falo do extremo sul do meu país. Nós, chilenos, nos afastamos tanto até tocar com nossos limites o Polo Sul, que parecemos a geografia da Suécia, que roça com a sua cabeça o norte nev...

Cor de cinza

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Uma violenta chuva alcançou o lado norte da ilha no Dia de Finados. Chegou repentinamente, e logo nas primeiras horas da manhã já transformara cada palmo do rancho num mundo cor de cinza. Certa escuridão espessa e vaporosa tomou conta de tudo. Nas coberturas de zinco, lá fora, a água produzia um ruído de batalhas, de trem avançando sobre trilhos. As árvores mais frágeis eram curvadas furiosamente pelo vento e suas cabeleiras, em frenesi, varriam o solo enlameado. Era um dilúvio. Ao meio-dia, um sopro mais forte do vento atirou longe metade do ­telhado da cavalariça, rebentando ripas e assustando os cavalos. Ouviam-se seguidamente relinchos agudos que logo se perdiam no ar, tragados pelo barulho da tempestade. Dudu ficou preocupada: os bichos poderiam ter se machucado. O espedaçar de paus e telhas tinha sido tão violento que seu som ainda ecoava. Tão longe e tão violentamente foram atirados os pedaços da cobertura envelhecida que na certa haviam atingido algum animal. O mundo se aca...
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O cão É domingo de maio.  Faz frio, está seco. Estou sentado no pátio da casa ouvindo longe o latido constante de um cão abandonado num quintal qualquer. Há um céu cinzento.   Desde as primeiras horas, late esse cão. Faminto? Provavelmente preso. E já está rouco. Em vão caminho até o fim da rua para tentar localizar de onde vem o grito. No emaranhado de árvores, muros e casas altas, não consigo saber do cão exáspero.  Ligo à Sociedade Protetora dos Animais e uma cantilena do outro lado diz:  Deixe recado após o sinal! Meu cérebro fervilha, minha indignação também. Pergunto a umas poucas pessoas que encontro na rua: Onde o cão? Mas todas passam rápido demais, assustadas demais. Ninguém está interessado em vozes, gritos, cães, sobretudo se estão famintos. Tento, as mãos em concha, apurar a percepção deste velho e cansado ouvido para ouvir melhor o animal e seu lamento, mas de repente cessa o grito angustiado, e não retorna mais.  Penso que lhe che...

Poema Visual 15

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