
Sereia de fogo dos lagos de pedras verdes Imagem: Luiz Braga (PostFace) Eu não estaria assim, se não fosse o fato de ter dormido tarde, o dia amanhecer nublado e o sol não existir quase infantil a estas horas no parapeito das janelas. Quando isso acontece, espreguiço-me na cama sem esperança e vejo pela janela sem cortinas que as nuvens vagam um silêncio morno por todo o espaço, com seu peso de vapor de chumbo e a agonia dum louco que arrastasse gritos pela casa. O mundo lá fora, assim, nunca é além do frio/calor que nos percorre por dentro as veias, rio fininho de água e óleo, leite e amoras. E há o desespero de não ter feito tudo quanto durante tantos anos, de espedaçar-se pelo meio do caminho, de ter de ouvir a voz desagradável da insidiosa que se senta ao meu lado e quer o teu mal a todo custo. Passou a existir entre nós essa ponte intransponível que vai do ontem ao vento, do agora ao abismo. Por isso estamos sós. Ouvimos que ...